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Meninos em corpos de homens

Por Paulo Silva | 10 de Novembro de 2017
Meninos em corpos de homens
Na era da pós-modernidade, temos perdido o sentido e a referência sobre o que de fato significa ser homem. Ao longo dos anos fomos sendo prensados a uma formatação comercial e categoricamente diplomática. A mídia, focada em fazer dinheiro, passou a gerar conteúdos que destruíam e invertiam os papéis na família. Como a televisão é uma excelente fonte de discipulado, milhões de pessoas seguem as tendências que surgem nas telas. O impacto disso tudo tem sido imenso. Ao contrário do que muitos pensam, a tv, não está interessada em gerar inteligência, pelo contrário, quanto mais passivos às suas estratégias e mensagens, melhores clientes seremos. “Não quero ser radical nesse ponto, apenas contundente”.
Anatomicamente, fomos preparados para carregar peso, aguentar pressão, dominar máquinas, construir com as próprias mãos, enfim, somos preparados para suprir nossa casa e família. Agora, parece que nesse meio tempo algo aconteceu… perdemos o rumo!!!
 Muitos pais que ralaram a vida toda, resolveram privar seus filhos de trabalhar com construção ou qualquer serviço que desse um pouco mais de trabalho. A ideia era muito nobre: Darei ao meu filho tudo aquilo que eu nunca tive e não o deixarei passar por aquilo que me fez sofrer. “Boom”, foi ativada a bomba relógio. Nossos pais nos privaram de ser “homens de verdade”. Ficamos presos no estado de “eterna criança”.
Fomos privados do trabalho e hoje somos uma geração que não aguenta nada, que reclama de dor no corpo o tempo todo, que dorme até não querer mais e que não conquista mais nada, vive como um sangue-suga. Fomos privados da pressão e nos tornamos frágeis, tal como muitas menininhas. Ninguém pode falar nada que a nossa identidade é colocada em cheque. As emoções oscilam fazendo com que muitos comecem coisas, mas nunca as terminem. Somos a incubadora das síndromes de insegurança e temores. Nos privaram da vida real e hoje lidamos melhor com o mundo virtual do que com as pessoas de verdade. Adquirimos um avatar para cada tipo de personagem que desejarmos mostrar aos outros. Uma geração tão inteligente nos games e tão burra pra vida.
Temo pelo tipo de “mutantes” que vamos gerar, à luz do que já geraram em nós. O número de mulheres decepcionadas com homens e casamento, é assustador. Elas enxergam homens barbados, altos e bonitos, mas quando casam, descobrem que naquele corpo “reside um menino”. Na verdade, muitos “homens meninos” casam à procura da perpetuação da mãe e não em busca de uma mulher a qual eles possam amar e servir. Se não nos despertarmos, seremos uma raça de mutantes perdidos, sem rumo, sem posicionamento, sem sonhos, sem sucessores. Precisamos de “pai” que nos ensine e nos dê limites, que esteja conosco durante o sofrimento, que nos frustrem, que nos faça valorizar o que se ganha com o suor do rosto, “pai” que nos ame de verdade a ponto de nos forçar a se desenvolver como homens e não a nos manter no estado de meninos.
Paulo Jonatas da Silva.

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